Refletindo sobre a Educação Escolar de
Pessoas com Surdez Atendimento
Educacional Especializado em Construção
“Acreditarmos
na nova Política Nacional de Educação Especial, numa perspectiva inclusiva, e
não coadunamos com essas concepções que dicotomizam as pessoas com ou sem
deficiência, pois, antes de tudo, por mais que diferentes nós humanos sejamos,
sempre nos igualamos na convivência, na experiência, nas relações, enfim, nas
interações, por sermos humanos. Não vemos a pessoa
com surdez como o deficiente, pois ela não o é, mas tem perda sensorial
auditiva, ou seja, possui surdez, o que a limita biologicamente para essa
função perceptiva. Mas, por outro lado, há toda uma potencialidade do corpo
biológico humano e da mente humana que canalizam e integram os outros processos
perceptuais, tornando essa pessoa capaz, como ser de consciência,
pensamento e linguagem.” (DAMÁSIO, 2010 p. 47, 48)
Esta
citação é o ponto mais alto da Teoria de Damásio suas palavras levam as pessoas a pensar e acreditar que é
possível haver uma mudança no sistema brasileiro de ensino, porque mentes estão
trabalhando em prol desta mudança de paradigma, e aos poucos estas ideias vão
se espalhando pelo Brasil sementes estão sendo plantadas rumo a verdadeira
inclusão, e ambientes escolares vão sendo reinventados na busca de uma nova
escola onde caiba todos alunos sem distinção, sem exclusão, reconhecendo que
cada ser é único em suas especificidades, mas acima de tudo são todos humanos
carregados de ideias e talentos que precisam apenas de oportunidades para
ampliar o potencial que traz consigo.
As
pessoas com surdez são extremamente inteligentes e capazes, contudo, muitas
escolas ainda os subestimam como se aquelas tivessem o QI reduzido, não
compreendem como bem descreve Damásio “Não vemos a
pessoa com surdez como o deficiente, pois ela não o é, mas tem perda sensorial
auditiva, ou seja, possui surdez, o que a limita biologicamente para essa
função perceptiva.” É preciso antes de tudo reconhecer que também as pessoas
ouvintes precisam ampliar suas funções perceptivas, aprendendo a segunda língua
oficial do Brasil que é a Libras, para que todos os brasileiros possam ser
compreendidos, e esta língua sem dúvida precisa ser inserida no Currículo
obrigatório das escolas públicas e particulares deste país.
Sabe-se que o único problema da inclusão da pessoa com surdez não
está literalmente e tão somente na nesta ou naquela língua, Damásio (2010, p.50) discute isso em sua
teoria ”é necessário discutir que, mais do que uma língua, as pessoas com surdez
precisam de ambientes educacionais estimuladores, que desafiem o pensamento e
exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva”, pois as metodologias de sala de aula estão muito aquém
do que se espera neste novo modelo de educação em que todas as pessoas têm os
mesmos direitos perante a Lei Constitucional Brasileira de 1988. Mas não se
pode negar que se todos os brasileiros falassem as duas línguas deste país a
interação e o desenvolvimento da pessoa com surdez seria bem maior, pois se
sentiriam parte ativo de todo o processo cultural, educacional, social e
político sem ter que sofrer tanto para serem compreendidos e compreenderem o
mundo em que vive, afinal, é através da língua que os seres humanos se
comunicam e interagem.
Entendo esta linha de pensamento percebe-se que as escolas
brasileiras precisam ser reconstruídas nesta perspectiva verdadeiramente
inclusiva para todos, é preciso ainda acreditar que é possível mudança e saber
que várias instituições deste país já estão inserindo este novo modelo de educação
e muitas pessoas com deficiência estão vivendo mais felizes e fazendo parte da
comunidade em que estão inseridos e sendo respeitadas em suas particularidades.
Bibliografia
DAMÁZIO, M. F.
M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional
Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010.
p.46-57.