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terça-feira, 6 de maio de 2014

ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO PARA ALUNOS COM SURDOCEGUEIRA


ESTRATÉGIAS DE COMUNICAÇÃO PARA ALUNOS COM SURDOCEGUEIRA
(Giumaura)
“COMUNICAÇÃO É UMA PARCERIA
- O sistema ou. sistemas de comunicação utilizado por um indivíduo são tão bons quanto um parceiro de
comunicação.
.- O sucesso das interações depende' de parceiros sensíveis e receptivos, alerta ao estilo único de
comunicação de uma pessoa com deficiências múltiplas.” LOUISE

 
A comunicação expressiva: requer que um comunicador (pessoa que comunica) passe a informação para outra pessoa. Comunicação expressiva pode ser realizada por meio do uso de objetos, gestos, movimentos corporais, fala, escrita, figuras, e muitas outras variações. (MAIA 2011)
 Objetos de Referência

São objetos que têm significados especiais associados a eles, pois servem para comunicar sobre diversas situações.
Eles têm a função de substituir a palavra, assim podem representar pessoas, objetos, lugares, atividades ou conceitos.
Possibilitam um distanciamento espacial ex: um outro ambiente e ou distanciamento temporal:ex: passado ou futuro (função antecipação). (MAIA 2011)
 O que os objetos de referência podem representar
Atividades- O objeto a ser selecionado deverá ser significativo para o aluno dentro da atividade, por exemplo: a caneca para tomar o café da manhã, pois o aluno a utiliza para executar a ação.
Horários- É difícil para pessoa com surdocegueira e para pessoa com deficiência múltipla entender a principio horas, podendo ser representado por objetos que determinam o tempo, por exemplo, ampulheta, relógio quando há reconhecimento ou desenho da atividade com relógio para indicar o horário do acontecimento ou um objeto que determine a hora: A chave da casa para indicar que o período escolar acabou e que é hora de ir para casa. (MAIA 2011)
 
Qualificadores: São utilizados para qualificar ações, por exemplo: para Sim e Não o sim é representando por um objeto em formato de X e o Não em formato de Círculo.
Lugares: Para representar o espaço, deverá ser selecionado algo significativo do contexto daquele espaço a ser utilizado e fixado na porta de entrada do mesmo.
Pessoas: É selecionado algo que para pessoa tenha um significado e a pessoa com surdocegueira possa manuseá-la sem constrangimento. (MAIA 2011)
 Porque usar Objetos de Referência
 
Para ajudar a lembrar de coisas e pessoas (reconhecimento e identificação).
Entender melhor as coisas, saber seus significados para que serve, onde está, quem é a pessoa.
Comunicar-se com outras pessoas, quando já identifica e antecipa , demonstrando suas vontades, seu interesse e sentimentos.
Usando os objetos de referência, experiências podem ser registradas em calendários e em livros de conversação. Os objetos de referência oferecem algo tangível – um meio concreto de se falar sobre experiências e eventos.
Registrar os eventos dá à criança a oportunidade, por exemplo, de esperar por um evento agradável.
A criança pode também expressar desejos com relação ao futuro, assim como ser capaz de olhar para trás para eventos do passado. É dado então à criança com surdocegueira e ou para criança com deficiência múltipla oportunidade para tornar-se uma pessoa com presente, passado e futuro.

As estratégias apresentadas a seguir é para trabalhar a comunicação em sala de aula para que se estabeleça comunicação expressiva significativa com um aluno surdocego (congênita) e os demais alunos em uma sala de 1º ano do Ensino Fundamental.
 
1ª Estratégia: Ao chegar na escola este aluno é recebido pelos colegas, um aluno (a) entrega ao aluno com surdocegueira uma rosa, e na sequência dá lhe um abraço, realizando assim a acolhida. Este símbolo será usado todos os dias ao começar a aula.

 
 2ª estratégia: A professora leva até o aluno para que ele toque no livro após o leva para sentar na roda de leitura no chão e trabalha sempre um livro com alto relevo para que sinta as imagens dos personagens da história com as mãos.


  

 
3ª Estratégia: Objeto bola para antecipar o momento de brincar, sempre levar a bola antes de começar a brincadeira que pode ser música, que envolva a expressão corporal, pode ser a brincadeira da Lagarta pintada, jogo de montar em que os colegas o ajuda a montar. 

 

4ª Estratégia: antecipar o colega que o acompanhará no intervalo menino ou menina, sempre usar uma boneca para menina e um carrinho para menino. É bom fazer esta interação sempre após o lanche levando jogos para que as crianças interajam na hora do intervalo e ele saiba se estar com uma menina ou um menino.




5ª Estratégia: A professora antecipa o lanhe fazendo o aluno segurar um depósito, logo na sequência apresenta o lanche para ele. A mãe deve fazer esta mesma estratégia em casa.

 6ª Estratégia: antecipar o momento de escovar os dentes após o lanche, a professora leva para o aluno para que ele toque na escova. A mãe deve fazer esta mesma estratégia em casa
 
 
7ª Estratégia: usar o relógio para antecipar a sua volta para casa, após o aluno tocar no relógio ele irá para casa.

8ª Estratégia: Os próximos objetos que será apresentados deve ficar na parede ao lado da carteira do aluno para que ele possa tocá-lo sempre que sentir estas necessidades de beber água e de ir ao banheiro. Em casa a mãe deve usar também estes objetos de referência


 







 
Após o aluno já reconhecer os objetos como antecipações destas ações, a professora deve  iniciar o processo desnaturalização do objeto. Sair do concreto (objeto tangível) para a figuras ou a escritas (bi-dimensão), (MAIA2011). A professora  deve desenhar estes objetos e escrever os nomes em alto relevo com cola para que o aluno possa ir aprendendo a lê as palavras que representa estas ações, pode usar também o Braile, ou a Libras tátil. Esta atividade de escrita também pode ser trabalhada com todos os alunos, uma vez que nem todos estão alfabetizados ao iniciar esta série.

BIBLIOGRAFIA
 
MAIA Shirley Rodrigues. Aspectos Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla;  (2011)

Focalizando as necessidades de comunicação do indivíduo com deficiências múltiplas (kit de ideias: Louise Goold, Phyllis Borbilas,  Annette Clarke e Carol Kane).

Resenha Crítica: FOCALIZANDO AS NECESSIDADES DE COMUNICAÇÃO DO INDIVÍDUO COM DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS: KIT DE IDEIAS



Resenha Crítica: FOCALIZANDO AS NECESSIDADES DE COMUNICAÇÃO DO INDIVÍDUO COM DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS: KIT DE IDEIAS
Autora: Giumaura Oliveira de Moura


A comunicação é extremamente importante para todo ser humano, pois ninguém vive só, há uma necessidade constante, própria do ser humano, de interagir com seus pares e com todas as pessoas que o cercam. Este artigo propõe um kit demonstrativo de comunicação para pessoas que apresentam deficiência múltipla deficiência intelectual, visuais, auditivas, e/ou físicas.
A comunicação é uma realização natural, espontânea, e geralmente acontece de forma verbal articulada falada ou escrita, contudo muitas pessoas não conseguem realizar esta comunicação de forma espontânea, precisa ser desenvolvido ao longo do tempo e novas formas de comunicação precisam ser desenvolvidas, devido alguns impedimentos causados por uma deficiência e estas práticas de comunicação se diferem da comunicação habitual da maioria das pessoas.
No intuito de superar as barreiras que impedem a comunicação dessas pessoas o Artigo: “Focalizando as Necessidades de Comunicação do Indivíduo com Deficiências Múltiplas: Kit de Ideias” apresenta alternativas para melhorar e ampliar a comunicação e interação das pessoas que precisam de um diferente tipo de sistema de comunicação.
Segundo a autora este método descrito neste artigo tem sido utilizado com sucesso por indivíduos com deficiências intelectuais e deficiências sensoriais e/ou físicas.
Contudo, segundo a autora (2012, p.2)

A chave para o sucesso da comunicação com estes sistemas é o planejamento e implementação de um meticuloso programa, o qual é especifico para cada individuo. Todos os sistemas são feitos de acordo com as necessidades do usuário e suas preferências.”

        
         Nesta afirmação da autora, percebe-se uma barreira para milhares de crianças que precisam deste modelo de comunicação, pois não têm uma família estruturada, ou melhor, com grau de estudo desenvolvido para organizar este material para que o filho amplie seu repertório de comunicação. Outro fator que poderia ajudar seria a escola, mas infelizmente a maioria das escolas brasileiras, ainda não percebe estas crianças como parte efetiva da escola e que necessitam de buscar adaptações nas práticas pedagógicas para atendê-las.
Segundo a autora outros pontos importantes para o sucesso da comunicação com estes sistemas, incluem:

Adotar uma abordagem multimodal (i.e. combinação de diferentes métodos de comunicação para complementar uma à outra)
_ Introduzir sistemas de comunicação em atividades rotineiras significativas.
_ Alertar potenciais parceiros de comunicação para o uso dos sistemas
_ Providenciar breves notas explanatórias sobre cada sistema
_ Entender que a comunicação é dinâmica, todos os sistemas deverão permitir futuras mudanças. (2012, p.2)


Entre as diversas formas de comunicação da abordagem multimodal estão:
A comunicação não simbólica que incluem fixação do olhar, expressões faciais, vocalizações e gestos naturais.
 Os Gestos Individuais que cada pessoa desenvolve para expressar suas ideias de acordo com as suas necessidades; Os Gestos personalizados são "feitos de acordo com as necessidades da pessoa" eles são especificamente planejados de acordo com as capacidades e condições físicas de cada pessoa. Na maioria das vezes os Gestos personalizados são rápidos, e prontos para possibilitar que a pessoa inicie uma interação e conversação. Como exemplos, são citados: Capa do dicionário de gestos de Paul, página “vamos falar”, seção do quadro de Paul.
Pequeno livro demonstrativo de Objetos, Símbolos em bolsa de armazenamento: Páginas de uma pasta A4 de Objetos símbolos com no máximo 4 - 5 símbolos por página.
Símbolos recortados: são formas arbitrárias cortadas de um plástico. Eles podem ser utilizados para representar as funções comunicativas mais relevantes para o seu cliente.
Moon e Braille: são representações elevadas de letras e ambas são sistemas padronizados projetados para leitura e escrita. Moon é um sistema ortográfico enquanto Braille baseia-se, no ponto matriz. Os dois sistemas também diferem era seu tamanho e organização.
Símbolos de duas Dimensões: fotografias são outros meios por qual algumas pessoas podem se comunicar e são uma parte importante da comunicação muiti-modal. Seu uso efetivo precisa levar em conta as habilidades visual, física e cognitiva do indivíduo.
Desenhos Contornados: para indivíduos que são capazes de ver e entender contornos existe um número de diferentes opções.
A autora faz uma reflexão “sistemas de comunicação utilizado por um indivíduo são tão bons quanto um parceiro de comunicação.  O sucesso das interações depende de parceiros sensíveis e receptivos, alerta ao estilo único de comunicação de uma pessoa com deficiências múltiplas.”
         Neste contexto de inclusão a aplicabilidade desse Kit é fundamental para a melhoria da comunicação e interação da pessoa com deficiência múltipla e para isto é preciso projetos que abarquem verdadeiramente a inclusão, é preciso que estas ideias, dos teóricos cheguem às escolas e façam parte do cotidiano dos educadores para que todos compreendam a importância de rever os velhos conceitos de ensino aprendizagem e possa buscar este novo jeito de ensinar recebendo e acolhendo todos os alunos com ou sem deficiência.

Bibliografia

MAIA, Shirley Rodrigues  FOCALIZANDO AS NECESSIDADES DE COMUNICAÇÃO DO
INDIVÍDUO COM DEFICIÊNCIAS MÚLTIPLAS KIT DE IDEIAS: LOUISE GOOLD PHYLLIS BORBILAS ANNETTE CLARKE CAROL KANE FONOAUDIÓLOGOS DEPARTAMENTO DE TERAPIA DA COMUNICAÇÃO THE ROYAL N.S.W. INSTITUTE FOR DEAF AND BLIND CHILDREN EM CONJUNTO COM: JODIE YATES / VALE MENDELSON Goold, Louise; Borbilas, Phyllis; Clarke, Annette; Kane, Carol Addressing thecommunication needs of the individual with significant impairments: an ideas kit. North Rocks Press, 1993 ISBN 0949050032 tradução Laura Lebre Monteiro Ancillotto 1999 Revisão Shirley Rodrigues Maia e Vula Maria Ikonomidis 2012.