efeitos borboletas

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Texto “O modelo dos modelos” de Italo Calvino e a sua relação com o AEE.



Texto “O modelo dos modelos” de Italo Calvino e a sua relação com o AEE.


 

 


Todo o texto nos leva a uma reflexão sobre o nosso papel quanto aducadores do AEE e sobre a própria construção e reconstrução da Educação longo da sua História. Vamos iniciar com o primeiro parágrafo do texto:



 



 



“Houve na vida do senhor Palomar uma época em que sua regra era esta: primeiro, construir um modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo, verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na experiência; terceiro, proceder às correções necessárias para que modelo e realidade coincidam. [..]



 



 



Acredito que cada pessoa que já fez uma viagem sobre a História da Educação neste país, percebe que o parágrafo acima mostra de maneira metafórica o modelo existente antes de se pensar numa Política Educacional inclusiva. O modelo tradicionalista e toda a pedagogia Liberal buscava uma educação homogênea, em que todos tinham que seguir o caminho da mesma forma percebendo a mesma “pedra no meio caminho” como bem escreveu Carlos Drummond de Andrade. Aqueles que não conseguissem seguir o modelo apresentado pela escola, eram excluídos do contexto escolar, ou melhor, dependendo das limitações, não podia chegar perto da escola. E o que mais dói neste modelo é saber que as pessoas não eram vistas como pessoas que podiam avançar e alcançar êxito, sua aparência era quem o definia como capaz ou incapaz, e assim, muitos gênios certamente, ficaram trancados em sótão ou porões ou até mesmo jogados em penhascos pelo simples fato de não coincidirem com a perfeição esperada pelo modelo pensado.



 



 



 Mas se por um instante ele deixava de fixar a harmoniosa figura geométrica desenhada no céu dos modelos ideais, saltava a seus olhos uma paisagem humana em que a monstruosidade e os desastres não eram de todo desaparecidos e as linhas do desenho surgiam deformadas e retorcidas.”



 



 



        Neste segundo trecho do texto, comparando com a Educação, já se percebe uma nova visão de educação e consequentemente de ensino aprendizagem. É como se o autor mostrasse o momento em que o homem começa a se perceber como um ser imperfeito, acredito que podemos fazer um recorte e dizer que é neste momento que as famílias das pessoas com deficiência começam a lutar para que os seus filhos tivessem direito a fazer parte da sociedade que viviam e que as pessoas são mais que uma deficiência ou aparência. Estas deformações podem ainda ser interpretadas como a própria imagem do senhor Palomar se reconhecendo como alguém preconceituoso, é como se sua imagem refletisse no espelho e começasse a pensar de um novo jeito com vários modelos como percebemos nesta próxima passagem do texto.



 



 



 [...] A regra do senhor Palomar foi aos poucos se modificando: agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possível transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades distintas, no tempo e no espaço. [...] Analisando assim as coisas, o modelo dos modelos almejado por Palomar deverá servir para obter modelos transparentes, diáfanos, sutis como teias de aranha; talvez até mesmo para dissolver os modelos, ou até mesmo para dissolver-se a si próprio.



 



 



Nesta passagem podemos refletir e comparar com a culminância do grande Marco Legal: A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação inclusiva, pois assim como Palomar que “agora já desejava uma grande variedade de modelos, se possível transformáveis uns nos outros segundo um procedimento combinatório, para encontrar aquele que se adaptasse melhor a uma realidade que por sua vez fosse feita de tantas realidades distintas, no tempo e no espaço.” Esta política propõe este novo olhar para a Educação que propõe e obriga as escolas receberem todos os alunos, seja ele com ou sem deficiência. Este documento reconhece que é possível transformar, só precisa buscar com paciência os elementos combinatórios para as diversas realidades, afinal somos iguais nas nossas diferenças, contudo jamais seremos homogêneos.



 Foi neste contexto que surgiu o AEE, que ainda está se construindo acertando, errando, recomeçando, para apoiar a educação das pessoas com deficiências, TEA, e superdotação nas escolas regulares.



 



Neste ponto só restava a Palomar apagar da mente os modelos e os modelos de modelos. Completado também esse passo, eis que ele se depara face a face com a realidade mal padronizável e não homogeneizável, formulando os seus “sins”, os seus “nãos”, os seus “mas”. Para fazer isto, melhor é que a mente permaneça desembaraçada, mobiliada apenas com a memória de fragmentos de experiências e de princípios subentendidos e não demonstráveis. Não é uma linha de conduta da qual possa extrair satisfações especiais, mas é a única que lhe parece praticável.



 



E parafraseando o último trecho de Calvino, para que o AEE aconteça é preciso que todas as pessoas que fazem parte a educação apaguem da mente o modelo dos modelos, e pode-se dizer que o AEE é o novo que se depara “face a face com a realidade mal padronizável e não homogeneizável, formulando os seus “sins”, os seus “nãos”, os seus “mas”.” No AEE tudo é percebido como possível de acontecer, claro respeitando o momento, as habilidades e as dificuldades de cada pessoa, no AEE as pessoas são vistas como capazes e únicas. No AEE não existe receita pronta, é uma descoberta a cada dia e aquilo que, muitas vezes, achamos impossível de resolver ou avançar, por não desistir, tudo se transforma, é uma metamorfose constante, são casulos, borboletas em transformação. NO AEE a mente precisa está desembaraçada e as ideias fluindo a cada instante, a cada olhar dos alunos que brilham pedindo uma chance de mostrar que não existe um modelo pronto para o sucesso deles, mas que se alguém acreditar no seu potencial construirão juntos um alicerce que podem mudar o mundo para melhor.



No AEE primeiro busca-se compreender o todo, busca-se enxergar a pessoa e não a sua deficiência, não se pergunta o que ele sabe, busca-se oferecer ferramentas para novas descobertas e assim vai-se ampliando o seu repertório de ideias, descobertas, habilidades e procura junto com o outro superar os obstáculos.   




 Tanto o senhor Palomar quanto os educadores do AEE se apresentam como pessoas que sabem que precisam mudar sua postura diante das coisas do mundo e que precisam fazer algo para que todas as pessoas sejam livres e respeitas na sociedade em que vivem, e que acima de tudo possam viver ativamente, uns com os outros.



 



 

2 comentários:

  1. Parabéns pela atividade borboleta também faço pós em AEE EM RONDÔNIA

    ResponderExcluir
  2. How to play online with your friends? - Vimeo
    I love the ability to add youtube to mp4 to my own videos. But there are tons of sites out there that Here is how you can play games for free without installing

    ResponderExcluir