efeitos borboletas

quarta-feira, 11 de junho de 2014

TRÊS ATIVIDADES INTERESSANTES PARA ALUNOS COM TEA


TRÊS ATIVIDADES INTERESSANTES PARA ALUNOS COM TEA

A TV musical
 



Interesses:




Canções infantis, gestos com os dedos para acompanhar as canções, danças, programas de TV, vídeos ou DVDs (por exemplo, o DVD educativo do Coelho Sabido, vídeos musicais da Galinha Pintadinha, etc).

Público alvo:

Pessoas com autismo de 3 a 12 anos de idade.

Local de utilização:

sala de aula e sala de AEE



Metas principais:

Contato visual.
Imitação e participação física.

Ação motivadora (o papel do adulto):

Ser um coelho que canta as canções infantis favoritas da criança dentro de uma tela de TV de papelão. Fazer gestos com os dedos e mãos para acompanhar a letra das canções.

Solicitação (o papel da criança):

Olhar nos olhos do adulto para demonstrar interesse na continuidade da atividade interativa.

Preparação da atividade:

Confeccione uma TV de papelão. Utilize uma caixa de papelão com dimensões de cerca de 50cm X 50cm X 40cm de forma que na tela de sua TV (buraco na caixa) caibam a sua cabeça, parte do busto e suas mãos. Você pode colar alguns círculos coloridos de papel ou E.V.A abaixo da tela representando os botões da TV de volume e de canais. Orelhas de coelho feitas de papel ou tecido ajudam a caracterizar seu personagem.

Estrutura da atividade:

Entre na TV vestido de coelho e explique que você vai cantar as canções favoritas de sua criança nesta TV muito especial. Cante a primeira canção com animação e expressividade. Experimente variar o volume, ritmo e timbre de sua voz ao cantar. Exagere suas caras e bocas dando motivos para a criança querer olhar para você. Utilize os seus dedos e mãos para fazer gestos que correspondem à mensagem da letra da música. Por exemplo, na música da “Dona Aranha”, seus dedos sobem a parede imaginária. Se a criança imitar espontaneamente os seus gestos, ou cantar com você, a celebre por isso. Ao término da primeira canção, faça uma pequena pausa e anuncie a próxima canção. Ao término da segunda canção, pause por alguns segundos e, se a criança olhar espontaneamente para você, a agradeça pelo olhar e explique que como ela está olhando, você sabe que ela quer mais canções. Sem pedir nada, inicie a terceira canção. Quando você terminar esta canção, faça uma pausa e, caso a criança não esteja olhando para você, solicite que ela olhe para lhe informar querer mais músicas. A cada pausa, celebre o olhar espontâneo ou solicite que ela olhe para você. Quando ela olhar, celebre e responda voltando a cantar.

Variações:

Você pode estimular uma maior duração dos olhares da criança associando diretamente o seu ato de cantar com o olhar dela: quando ela olha você canta, quando ela deixa de olhar, você vai ficando sem forças (ou sem bateria!), começa a cantar e agir em câmera lenta até que você “congela” em uma posição silenciosa. A ideia seria mostrar que a TV é movida pelo olhar da criança. Quando você começar a ficar sem forças, explique para a criança que assim que ela olhar você ficará forte de novo e voltará a cantar.

Se você quiser que a principal meta da atividade seja a imitação dos seus gestos, não solicite que ela olhe em seus olhos, solicite apenas que a ela o imite utilizando as mãos e dedos durante as canções.

A criança também pode participar fisicamente tocando no círculo (botão do canal) que representa a canção desejada por ela. Cole de 3 a 5 círculos na TV, cada um de uma cor, e próximo a cada círculo cole uma figura que representa claramente cada uma das canções que você pretende cantar. Por exemplo, para a música “Brilha, Brilha Estrelinha”, cole uma estrelinha próxima ao seu “botão”. No início da brincadeira, você mesmo aperta um dos botões e canta a música correspondente. Após demonstrar em alguns ciclos os diferentes botões e suas canções, solicite que a criança escolha a canção apertando um dos botões para você cantar.

Uma outra forma da criança participar fisicamente seria através de um controle remoto de papelão confeccionado por você. O controle pode ter apenas um botão, o botão que “liga” a TV. No início, você mesmo liga a sua TV apertando o botão do controle remoto. Após alguns ciclos, você faz uma pausa entre as canções e solicita que a criança aperte o botão para ligar a TV.

Adapte a atividade de acordo com os interesses de sua criança. Se ela não se interessa por coelhos e não conhece os DVDs do Coelho Sabido, mas adora os vídeos da Galinha Pintadinha, substitua o personagem do coelho pelo personagem da galinha.



2ª ATIVIDADE: Fazendo a história

 

Interesses:

Animais, meios de transporte, efeitos sonoros e onomatopeias.

Metas principais:

Acompanhar e compreender uma sequência narrativa.
Participação física.

Ação motivadora (o papel do educador):

Contar uma história para a criança utilizando a sequência narrativa de um livro caseiro personalizado. Utilizar sua expressividade facial, corporal e de voz em breves encenações para ajudar a criança a manter-se atenta e motivada durante toda a história. Oferecer opções de cartões para que a criança complete a história.

Solicitação (o papel da criança):

Escolher o cartão que completará cada trecho da história do livro.

Preparação da atividade:

Confeccione um livro personalizado utilizando papel de tamanho A3 e deixe espaços em branco no texto para que cartões possam ser encaixados de forma a completar a história. Confeccione de 2 a 4 cartões diferentes como opções para cada espaço em branco. Os cartões podem conter apenas fotos/desenhos, conter fotos/desenhos e palavras, ou apenas palavras, dependendo do estágio de desenvolvimento das habilidades cognitivas de sua criança. Plastifique tanto o livro como os cartões e cole um fita de Velcro no verso dos cartões e nos trechos em branco do livro para que os cartões possam ser encaixados desta forma. Abaixo um exemplo de história e de cartões:

Era uma vez um…

  • gato
  • cavalo
  • tigre
  • sapo

Que morava em uma casa…

  • vermelha
  • amarela
  • azul
  • verde

Um dia, ele foi passear de…

  • carro
  • trem
  • helicóptero
  • caminhão

E ele chegou na….

  • escola
  • praia
  • floresta
  • piscina

Ali, ele encontrou seu amigo…

  • pato
  • leão
  • macaco
  • urso

E eles comeram juntos uma deliciosa e gigante…

  • banana
  • laranja
  • melancia
  • maçã

Estrutura da atividade:

Quando você começar a contar a história, mantenha todos os cartões em uma prateleira e mostre à sua criança apenas os 2 a 4 cartões referentes à primeira página. Seja o modelo para sua criança, escolha um dos cartões e coloque você mesmo o cartão no espaço com velcro do livro, sem pedir nada à criança. Guarde na prateleira os cartões daquela página que não foram utilizados. Continue a história utilizando sua expressividade e animação, encenando, oferecendo efeitos sonoros relativos aos meios de transporte e onomatopeias para cada um dos animais. A cada espaço em branco, mostre os novos cartões e estimule a criança (caso ela esteja altamente motivada) a ajudá-lo a escolher um cartão e encaixá-lo no livro. Lembre-se que o momento em que solicitamos algo da criança também faz parte da diversão. Traga leveza e animação para este momento demonstrando sua empolgação em escolher os cartões e montar a história. A criança não precisa escolher e colocar os cartões no livro. Se ela conseguir manter-se atenta e acompanhar toda a história, isso já é fantástico para uma criança que ainda não adquiriu a habilidade de seguir sequências narrativas orais ou escritas. E se ela participar escolhendo e colocando os cartões no livro, lembre-se de celebrar muito suas participações!

Variações:

Se a criança gosta de música, o professor pode fazer uma história cantada. Com uma melodia conhecida,  pode confeccionar o livro escrevendo a letra original ou uma letra modificada para montar a sua história e também deixar espaços em branco para a criança completar com os cartões.

Observações:

Algumas crianças podem se beneficiar de uma história com menos espaços em branco para completar – ou até nenhum – caso os espaços em branco e os cartões a distraiam dificultando a compreensão da história narrada. Se este for o caso, invista em livros personalizados confeccionados por você com os interesses da criança, com texto simplificado e ilustrações atraentes, para que você possa simplesmente contar a história com animação e expressividade.




3ª ATIVIDADE: Dado das brincadeiras

 

 


Interesses:

Brincadeiras físicas, pular, rodar, cair, balançar, massagem com diferentes pressões, jogar objetos para cima e vê-los cair.

Metas principais:

Desenvolver atenção compartilhada de 15 minutos ou mais.
Flexibilidade.
Participação física.

Ação motivadora (o papel do professor):

Oferecer 6 diferentes ações motivadoras para a criança de acordo com a faceta sorteada de um dado gigante. A seguir algumas sugestões de ações.

  • PULAR: Ajudar a criança a pular bem alto a segurando pelo tronco, ou segurando em suas mãos enquanto ela pula em uma pequena na cama elástica, ou ainda pulando sentada em cima de uma bola de Pilates ou fisioterapia.
  • RODAR: Girar em torno do próprio eixo com a criança em seu colo.
  • CAIR: Levantar a criança e gentilmente deixá-la cair em segurança sobre um conjunto de almofadas, pufes ou colchões.
  • BALANÇAR: Balançá-la em seus braços para uma lado e para outro, ou balançá-la para frente e para trás em seu colo enquanto vocês estão sentados em uma bola de fisioterapia, ou ainda balançá-la em uma rede no quarto.
  • APERTAR: Oferecer massagens com diferentes tipos de movimentos e intensidades de pressão nas diversas partes do corpo da criança.

Solicitação (o papel da criança):

Jogar o dado gigante.

Preparação da atividade:

Confeccione um cubo grande, de pelo menos 20cm de aresta. Você pode utilizar o material de uma simples caixa de papelão ou um tecido impermeável preenchido com espuma rígida. Cada faceta do dado contém afixado um cartão confeccionado por você com uma palavra e possivelmente uma figura correspondente. As palavras e figuras representam as ações motivadoras que você irá oferecer.

Estrutura da atividade:

Faça suspense, exagere sua expressividade facial, gestual e de voz ao anunciar com animação e então jogar o dado para cima. Aponte para a faceta de cima e leia a palavra sorteada. Convide a criança para brincar dessa ação. Não a manipule fisicamente sem que ela lhe dê permissão, apenas a convide para subir em seu colo ou em suas costas (de acordo com a ação a ser oferecida) e espere até que ela se aproxime de você demonstrando querer experimentar a brincadeira. Ofereça a ação de graça, sem pedir nada a ela, por pelo menos 1 minuto. Faça uma pausa, explique que você vai jogar o dado novamente para ver em qual brincadeira ele vai cair. Jogue o dado dramaticamente e a convide a brincar daquilo que foi sorteado. Após alguns ciclos, quando a criança estiver altamente motivada e tiver compreendido a estrutura da brincadeira, solicite que a criança jogue o dado para sortear cada ação. Diante de qualquer tentativa dela para jogar o dado, celebre seu esforço e participação social, e imediatamente ofereça a ação sorteada por ela.

Variações:

Se a sua criança já está começando a ler, você pode solicitar que ela leia a palavra sorteada.

Você pode substituir as ações motivadoras da atividade acima por brincadeiras com estímulos visuais e auditivos. Por exemplo, o dado pode conter figuras de animais e, para cada uma delas, você oferece uma encenação imitando os movimentos e os sons do animal, ou então uma canção ligada àquele animal. Você pode utilizar máscaras e fantasias para a caracterização de cada animal.

Se a sua criança gostar muito de uma das ações representadas no dado e não quiser mais seguir o sorteio do dado demonstrando querer brincar de apenas 1 das ações do dado, permita que ela faça essa escolha e brinque da forma que ela quiser. Brincadeira forçada não é brincadeira. Brincadeira é sinônimo de diversão. Se ela só quiser brincar de rodar em seu colo, você pode alterar a meta e solicitar que, nas pausas entre os giros, ela faça um destes papéis sugeridos: fale a palavra “rodar”; olhe em seus olhos; aponte para a palavra “rodar” no dado; escreva a palavra “rodar” no quadro; escreva a letra “R” de “rodar” no quadro enquanto você escreve o resto da palavra; etc. Estabeleça UM papel para a criança na brincadeira que seja apropriado para o atual estágio de desenvolvimento de suas habilidades, sendo este papel o próximo passo para ela adquirir em uma habilidade específica dentre as metas estabelecidas por sua equipe multidisciplinar.

Observações:

Nesta atividade do Dado de Brincadeiras, tenha em mente que aceitar a regra do sorteio da ação motivadora através do dado já é um desafio de flexibilidade para sua criança. Inicialmente, dê o controle a ela quando você apresentar este tipo de dinâmica e permita que ela explore o dado e que inclusive coloque o dado na faceta preferida.

Recomendamos também que este tipo de atividade com múltiplas ações motivadoras seja introduzido quando a criança já apresentar em média um período de atenção compartilhada mínimo de 10 minutos. Com as diversas ações motivadoras unidas por uma estrutura ainda simples do dado, este é um exemplo de atividade intermediária que utilizamos na transição entre atividades de estrutura simples e cíclica (que contam com a repetição de uma mesma ação motivadora em todos os ciclos) e atividades de estrutura complexa e fluxo contínuo (aquelas em que há múltiplas ações motivadoras e diferentes etapas unidas por uma estrutura complexa porém previsível, como por exemplo, uma caça ao tesouro ou um jogo de tabuleiro avançado).



Fonte de pesquisa

http://www.inspiradospeloautismo.com.br/a-abordagem/atividades-interativas-para-pessoas-com-autismo/


Um comentário:

  1. A TV musical
    Essa atividade é show proporciona o contato visual a imitação e participação física e estimula uma maior duração dos olhares da criança associando diretamente o seu ato de cantar com o olhar da criança expressando confiança entre o professor e o aluno.

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