DIFERENÇAS
ENTRE SURDOCEGUEIRA E DEFICIÊNCIA MÚLTIPLA
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Surdocegueira
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Deficiência Múltipla
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É uma terminologia adotada mundialmente para
se referir a pessoas que tem perdas visuais e auditivas concomitantes em
graus diferentes.
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É quando uma pessoa
apresenta mais de uma deficiência.
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A
surdocegueira se divide em dois grupos:
Ø Surdocegueira congênita: quando a criança
nasce Surdocega ou adquire a surdocegueira nos primeiros anos de vida antes
da aquisição de uma língua (português ou Libras – Língua Brasileira de
Sinais). Um exemplo mais freqüente destes casos é a criança com seqüelas da
síndrome da rubéola congênita.
Ø Surdocegueira adquirida: quando a pessoa ficou surdocega após a aquisição de uma
língua, seja oral ou sinalizada. Os exemplos mais freqüentes deste grupo são
pessoas com Síndrome de Usher.
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“É uma condição
heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando
associações diversas que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento
individual e o relacionamento social” (fascículo DMU).
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As pessoas surdocegas estão divididas em quatro categorias:
Surdocego total:
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ausência total de visão e audição.
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As pessoas com deficiência múltipla apresentam características
específicas, individuais, singulares e não apresentam necessariamente os
mesmos tipos de deficiência, podem apresentar:
Física e Psíquica
·
Deficiência física associada à
Deficiência Intelectual.
·
Deficiência Física associada a
Transtornos Globais do Desenvolvimento.
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Surdocego com surdez profunda
associada com resíduo visual:
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ausência de percepção da fala mesmo com aparelho de amplificação
sonora individual, com resíduo visual que permite orientar-se pela luz,
facilitando a mobilidade e com apoio de alto contraste é possível ter
percepção de objetos, pessoas e escrita ou símbolos.
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Sensorial e Psíquica
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Deficiência
Auditiva/Surdez associada à Deficiência Intelectual.
·
Deficiência
Visual associada à Deficiência Intelectual.
·
Deficiência
Auditiva/Surdez associada a Transtornos Globais do Desenvolvimento.
·
Deficiência
Visual associada a Transtornos Globais do Desenvolvimento.
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Surdocego com surdez moderada
associada com resíduo visual:
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dificuldade para compreender a fala em voz normal e sua percepção
visual à luz permite mobilidade e com apoio de alto contraste é possível ter
percepção de objetos, pessoas e escrita ou símbolos.
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Sensorial
e Física
·
Deficiência
Auditiva/Surdez associada à Deficiência Física.
·
Deficiência
Auditiva/Surdez associada à Paralisia Cerebral.
·
Deficiência
Visual (cegueira ou baixa visão) associada à Deficiência Física.
·
Deficiência
Visual (cegueira ou baixa visão) associada à Paralisia Cerebral.
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Surdocego com surdez moderada ou
leve com cegueira:
·
dificuldade auditiva para compreender a fala em voz normal ou baixa é
necessário falar mais próximo ao ouvido e tom mais alto (fala ampliada),
total ausência de visão, sem percepção de luminosidade ou vulto.
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Física, Psíquica e Sensorial:
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Deficiência
física associada à deficiência visual (cegueira ou baixa visão) e a
Deficiência Intelectual.
·
Deficiência
física associada à Deficiência Auditiva/Surdez e a Deficiência Intelectual.
·
Deficiência
visual (Cegueira e ou baixa visão), paralisia cerebral e Deficiência
Intelectual.
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Surdocego com perdas leves, tanto
auditivas quanto visuais:
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dificuldade para compreender a fala em voz baixa e seu resíduo visual
possibilita que defina e perceba volumes, cores e leitura em tinta ampliada.
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A pessoa que nasce com
surdocegueira ou que fica surdocega não recebe as informações sobre o que
está sua volta de maneira fidedigna, ela precisa da mediação de comunicação
para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca.
Seu conhecimento do mundo
se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais como: tato, olfato, paladar,
cinestésico, proprioceptivo e vestibular.
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Na deficiência Múltipla não
garantimos que todas as informações muitas vezes chegam para a pessoa de
forma fidedigna, mas ela sempre terá o apoio de um dos canais distantes
(visão e ou audição) como ponto de referência, esses dois canais são
responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo ao longo da
vida.
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ESTRATÉGIAS
UTILIZADAS PARA AQUISIÇÃO DA COMUNICAÇÃO
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Para
as pessoas com surdocegueira e/ou com deficiência múltipla a comunicação acontece de duas formas
para favorecer a eficiência da transmissão e interpretação.
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A
comunicação receptiva: ocorre
quando alguém recebe e processa a informação dada por meio de uma fonte e
forma (escrita, fala, Libras e etc). A informação pode ser recebida por meio
de uma pessoa, radio ou TV, objetos, figuras, ou por uma variedade de outras
fontes e formas. No entanto, comunicação receptiva requer que a pessoa que
está recebendo a informação forme uma interpretação que seja equivalente com
a mensagem de quem enviou tentou passar.
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A
comunicação expressiva: requer que
um comunicador (pessoa que comunica) passe a informação para outra pessoa.
Comunicação expressiva pode ser realizada por meio do uso de objetos, gestos,
movimentos corporais, fala, escrita, figuras, e muitas outras variações.
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A
interação Social e a Comunicação- aspectos fundamentais para o
desenvolvimento da linguagem
Os termos “interação
social” e “comunicação” estão intimamente relacionados. Tomemos por definição
de interação social o processo pelo qual dois indivíduos influenciam
mutuamente os atos um do outro. A comunicação implica em interação, e mais, a
comunicação é definida como uma forma de interação em que o significado é
transmitido por meio do uso de sinais, que são percebidos e interpretados por
um dos pares. Dado que a interação é o
“veículo da comunicação”, é obvio que, para um contato ser mantido e para que haja uma interação
harmoniosa, é indispensável que se estabeleça uma comunicação de alta
qualidade.
Nas atividades do dia-a-dia
com pessoas com surdocegueira, uma atitude pode ser tanto social quanto
comunicativa, dependendo da reação e da interpretação de um dos pares, assim
como da intenção da pessoa com surdocegueira Mesmo no mais avançado uso da
linguagem formal e da comunicação, a interação sempre representa um papel
importante.
v
Sua comunicação inicial é pelo
movimento corporal e vocalizações.
v
Precisam aprender por rotinas
organizadas.
v
A caixa de antecipação* será sua
primeira estratégia de comunicação.
Caixa
de antecipação
ü
qualquer objeto que permita guardar
os objetos de referências de pessoas, ações, locais que começam a ter
significado para a criança.
Objetos
de Referência
ü
São objetos que têm significados
especiais associados a eles, pois servem para comunicar sobre diversas situações.
ü
Eles tem a função de substituir a
palavra, assim podem representar pessoas, objetos, lugares, atividades ou
conceitos.
ü
Possibilitam um distanciamento
espacial ex: um outro ambiente e ou distanciamento temporal:ex: passado ou
futuro (função antecipação).
O
que os objetos de referência podem representar
ü
Atividades- O
objeto a ser selecionado deverá ser significativo para o aluno dentro da
atividade, por exemplo: a caneca para tomar o café da manhã, pois o aluno a
utiliza para executar a ação.
ü
Horários-
É
difícil para pessoa com
surdocegueira e para pessoa com deficiência múltipla entender a principio
horas, podendo ser representado por objetos que determinam o tempo, por
exemplo, ampulheta, relógio quando há reconhecimento ou desenho da atividade
com relógio para indicar o horário do acontecimento ou um objeto que
determine a hora: A chave da casa para indicar que o período escolar acabou e
que é hora de ir para casa.
ü
Qualificadores:
São utilizados para qualificar ações, por exemplo: para Sim e Não o sim é
representando por um objeto em formato de X e o Não em formato de Círculo.
ü
Lugares: Para
representar o espaço, deverá ser selecionado algo significativo do contexto
daquele espaço a ser utilizado e fixado na porta de entrada do mesmo.
ü
Pessoas: É
selecionado algo que para pessoa tenha um significado e a pessoa com
surdocegueira possa manuseá-la sem constrangimento.
Porque usar Objetos de
Referência
ü
Para ajudar a lembrar de coisas e
pessoas (reconhecimento e identificação).
ü
Entender melhor as coisas, saber
seus significados para que serve, onde está, quem é a pessoa.
ü
Comunicar-se com outras pessoas,
quando já identifica e antecipa , demonstrando suas vontades, seu interesse e
sentimentos.
ü
Usando os objetos de referência,
experiências podem ser registradas em calendários e em livros de conversação.
Os objetos de referência oferecem algo tangível – um meio concreto de se
falar sobre experiências e eventos.
ü
Registrar os eventos dá à criança a
oportunidade, por exemplo, de esperar por um evento agradável.
ü
A criança pode também expressar desejos com
relação ao futuro, assim como ser capaz de olhar para trás para eventos do
passado. É dado então à criança com surdocegueira e ou para criança com
deficiência múltipla oportunidade para tornar-se uma pessoa com presente,
passado e futuro.
Como
ocorre o processo de desnaturalização de um objeto para escrita
O
que é o processo desnaturalização do objeto?
Sair do concreto (objeto
tangível) para a figuras ou a escritas (bi-dimensão).
Exemplo:
Ø
Atividade:
Beber água
1º
Passo: A pessoa utiliza o próprio copo que bebe água.
2º
Passo: Colar o objeto em: papelão, papel ou madeira processo de pareamento.
3º
Passo: Cortar parte do copo e colar no papelão.
4º
Passo: Realizar junto com a pessoa com surdocegueira e ou com deficiência
múltipla o desenho de contorno do objeto.
5º
passo: Apresentar a figura do copo por meio de: desenho, foto e ou de uma
figura de uma revista.
6º
Passo: Apresentar um cartão com palavra escrita em tinta ou escrita em
braile.
Quando iniciamos o processo
de desnaturalização
Quando
percebemos que a pessoa já reconhece (antecipa) a função.
Do sinal para o símbolo
Os
objetos de referência podem se desenvolver em símbolos verdadeiros se vierem
a funcionar crescentemente em situações diferentes (descontextualização). Por
exemplo, O copo não é mais somente aquele objeto usado de manhã e de tarde,
mas é também um objeto usado por outros membros do grupo da criança, que pode
ser comprado na loja, que pode ter formas diferentes, que é lavado após ser
usado, e que sobre o qual se pode falar: “Quando você vai comprar um novo
copo?”.
O
uso do objeto de referência na conversação deverá sempre estar em combinação
com sinais de libras ou fala, assim a criança abandona a idéia de que um
objeto de referência deve sempre conduzir a uma ação particular, mas sim
de perceber que o objeto de referência
pode permitir se dar nome à coisa, por exemplo: “Aquilo é um carro”. A criança internaliza isso e percebe que se
pode dar nome a tudo. Dessa forma é possível para a criança se desapegar do
mundo puramente pragmático.
PISTAS
Todas
as crianças começam logo cedo a prestar atenção nas pessoas, lugares e o que
ocorre a sua volta com combinações de várias pistas.
Crianças com surdocegueira e ou com
deficiência múltipla, também no seu dia a dia recebem várias pistas, o que
passam a antecipar, lugar, pessoas e ambientes.
Pista
de Contexto
ü
Fazem parte do ambiente.
ü
Podem ser: cheiro, sons,
organização do ambiente e sons de pessoas.
ü
Usar Pistas concretas no contexto utilizado
para identificar o espaço.
Pistas
de Movimentos
São movimentos que são
realizadas em conjunto com a criança, durante a atividade. Por exemplo: fazer
o movimento com a criança de balançar e em seguida levar para balança.
Pistas
Táteis
São estímulos táteis, por
exemplo: tocar no ombro para colocar a jaqueta.
(MAIA, 2011)
OBS:
TODAS ESTAS INFORMAÇÕES ATÉ AQUI APRESENTADAS FAZEM PARTE DO TEXTO DA DOUTORA Shirley Rodrigues Maia. Aspectos Importantes para saber sobre
Surdocegueira e Deficiência Múltipla; (2011)
A comunicação através de Símbolos tangíveis
Símbolos tangíveis são objetos ou figuras que vão no lugar de, ou representam
algo sobre o qual queremos comunicar. Os símbolos tangíveis podem ser:
1.
objetos completos
2.
texturas ou formas
3.
partes de objetos
4.
desenhos
5.
objetos associados
6.
fotografias
Esses tipos diferentes de símbolos ilustram progressivamente
níveis mais abstratos de representação. (ROWLAND, 2013).
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Bibliografia:
MAIA,
Shirley Rodrigues. Aspectos
Importantes para saber sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla; São Paulo (2011)
ROWLAND Charity e SCHWEIGERT Philip - Soluções
Tangíveis para Indivíduos Com Deficiência Múltipla e ou com Surdocegueira. Apostila
In mimeo. Tradução Acess. Revisão:
Shirley R. Maia - 2013.
BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA,
Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial
na Perspectiva da Inclusão Escolar - Fascículo 05: Surdocegueira e
Deficiência Múltipla (2010).
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Então, Maura Moura!
ResponderExcluirPodemos ter uma visão ampla da diferença entre Surdocegueira e Deficiências Múltiplas, no quadro que você apresenta em seu trabalho, o mesmo está bem definido.
Também me chamou a atenção a apresentação dos objetos de referências para trabalharmos com o publico alvo. elas tem um significado importante para a comunicação entre as partes envolvidas no processo.
Giumaura achei bastante interessante o quadro comparativo entre dmu e surdocegueira, dessa forma ficou bem mais prático e rápido de visualizarmos as peculiaridades de cada uma dessas deficiêncas. Parabéns, sua forma de organização foi bem interessante.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirOi Vera por que retirou seu comentário? Vamos dialogar.
ExcluirOlá Giumaura tudo bem? A sua maneira de organizar foi muito louvável, parabens!!!
ResponderExcluirGiu, parabéns pela belíssima postagem! Você subdividiu os itens de forma precisa e organizada sobre Surdocegueira e Deficiência Múltipla, detalhando as características, estratégias utilizadas para a comunicação e os aspectos fundamentais para o desenvolvimento da linguagem. Gostei muito do enfoque sobre a desnaturalização de um objeto para a escrita.
ResponderExcluirGiumaura, amei a forma que você escolheu para comparar a surdocegueira e a deficiência multípla.Ficou bem mais fácil de visualizar.PARABÉNS!
ResponderExcluirOi!!
ResponderExcluirVocê sempre me surpreende...Parabéns por sua postagem, a maneira como colocou as diferenças entre surdocegueira e deficiência múltilpa foi bastante clara. Achei bastante enriquecedor também o detalhamento que fez sobre as estratégias para a aquisição da comunicação.Parabéns!